quarta-feira, 5 de Janeiro de 2011

Problema das Unhas

 Os seus pés…….indicadores da sua saúde

Pelo facto dos pés estarem tão longe do nosso coração, os nossos pés são frequentemente o local primordial  do nosso organismo a transmitir que algo no nosso corpo se encontra de má saúde.
A condição geral das unhas dos pés pode ser indicativo do primeiro sinal de doença. Por exemplo, as unhas que se apresentam côncavas em vez de arredondadas sobre o leito ungueal, podem indicar falta de ferro ou anemia (diminuição de glóbulos vermelhos). O aumento da espessura das unhas, ou a presença de irregularidades, podem ser indicativos de manifestações de psoríase, uma doença de pele.
O seu Podologista irá sempre avaliar a condição clínica das unhas dos pés, e providenciar o tratamento mais adequado à alteração ou patologia das suas unhas.

As unhas dos nossos pés

As unhas são consideradas uma forma alterada da epiderme (a camada superior do tecido da pele), endurecida por uma proteína chamada queratina. Protegem a ponta dos dedos das mãos e dos pés e não têm vida. Apesar de não terem terminações nervosas, estão acomodadas em tecidos sensíveis (existem cerca de 17 000 receptores de toque na mão; a maioria situa-se nas pontas dos dedos). Isto permite que as unhas sintam a mínima vibração ao tocarem num objecto.
A parte visível da unha mede 0.5mm de espessura e apresenta uma cor rosada, devido à profusão de capilares existentes por baixo dela. A unha cresce a partir da matriz, situada debaixo da pele. Um crescente branco chamado lúnula (meia-lua) está, frequentemente, visível na base da unha, embora se encontre, por vezes, tapado pelo eponíquio (cutícula). As unhas das mãos demoram cerca de 6 meses a crescer da raiz até à ponta e as dos dedos dos pés cerca de 12 meses.
anatomia da unha
Anatomia da Unha

Quem é vulnerável aos problemas das unhas dos pés?

Todas as pessoas, de todas as idades, podem eventualmente ao longo das suas vidas sofrer de alterações ungueais. Muitos destes problemas são relativamente comuns. As unhas podem tornar-se espessas, quebradiças, curvadas, descoloradas, infeccionadas e irregulares. Em alguns casos a unha pode cair, e crescer uma nova unha. À medida que envelhecemos, a probabilidade de desenvolver patologia ungueal aumenta.

O que causa problemas nas unhas

Os problemas ungueais podem ser causados por infecções fúngicas, bacterianas, infecções víricas (verrugas), tumorações subungueais, traumatismos (queda de objectos), alterações de crescimento ou mau corte ungueal. Traumatismos ungueais em associação a hematoma ou infecção podem causar deformidades permanentes.

Patologias comuns e o seu tratamento

Unhas encravadas: São uns dos problemas mais comuns de patologia ungueal. È um estado doloroso, normalmente do dedo maior do pé, em que um ou ambos os bordos da unha se comprime contra a pele adjacente, o que dá origem a infecção e inflamação. A situação resulta geralmente do corte incorrecto das unhas, da própria morfologia da unha (unhas curvadas para dentro), do calçado apertado ou de traumatismo repetido durante as actividades diárias (caminhadas, exercício físico).
Frequentemente a dor pode ser provocada por presença de calosidade (pequeno calo entre a unha e o bordo do dedo (canal ungueal).
Na maioria dos casos a situação clínica, necessita unicamente de tratamento conservador (extracção de espícula sem dor). Outros casos podem necessitar de um pequeno procedimento cirúrgico, conduzido pelo seu Podologista, utilizando anestesia local.
Espessamento das unhas: È uma alteração comum. Normalmente é o resultado de traumatismo sobre o leito ungueal (queda de objecto) ou infecção provocada por fungos.O espessamento das unhas é também um processo de carácter fisiológico inerente à idade. O espessamento das unhas dos pés pode ser facilmente tratado, de forma indolor pelo seu Podologista.
Traumatismo da unha: A queda de um objecto pesado sobre a lâmina ungueal, assim como a avulsão da unha, pode levar à deformação permanente da unha. Um tratamento regular e indolor realizado pelo Podologista, incluindo a diminuição da espessura e alisamento da unha, contribui para a diminuição das complicações associadas à alteração do crescimento da unha.
Infecção fúngica: Vulgarmente conhecida por onicomicose; é uma infecção das unhas por fungos (dermatófitos, leveduras, fungos filamentosos não dermatófitos).
As infecções ligeiras provocam poucos ou nenhuns sintomas, manifestando-se inicialmente por uma alteração da coloração situada normalmente num dos cantos da unha (ponto amarelo) do dedo grande. Com o evoluir da situação clínica, torna-se amarela e grossa, podendo levar ao descolamento da unha, destruição parcial ou total da unha. As infecções fúngicas têm tendência a evoluir para a afectação de toda a lâmina ungueal. Em alguns casos a sobreinfecção por Candida albicans, também se manifesta, verificando-se uma inflamação dolorosa em redor das unhas (paroníquia).
Outras infecções: Causam inflamação da matrix (oníquia) e inflamação dos tecidos adjacentes à unha (paroníquia). Em pessoas com diminuição do sistema imunitário, estas alterações por vezes podem tornar-se em complicações sérias, incluindo a expansão do processo infeccioso por toda a perna. O seu Podologista pode detectar estas alterações atempadamente e aconselhar um plano de tratamento adequado.
Os tratamentos disponíveis actualmente são eficazes e práticos. De acordo com a gravidade da situação o seu Podologista pode recomendar-lhe vários tipos de tratamento:
  • Tratamento tópico: Antifúngicos tópicos. Após a aplicação na superfície da unha, penetram, destruindo directamente o fungo.
  • Tratamento oral: Antifúngicos em comprimidos ou cápsulas.
  • Tratamento com associação de antifúngicos orais e tópicos.
Para um tratamento eficaz será necessário realizar consultas de Podologia periódicas (dois em dois meses), afim de melhorar a superfície da unha, para uma melhor penetração e disponibilidade da medicação tópica e oral no leito ungueal. O polimento e descongestionamento da unha afectada, realizado pelo Podologista, garantem a eficácia do tratamento.
Para a cura completa das onicomicoses (micose das unhas) são necessários em geral 4 a 6 meses, no caso das mãos, e 9 a 12 meses no caso dos pés.
Curiosidades:
A onicomicose (micose das unhas) é a doença mais comum nos adultos. Pelo menos cerca de 300.000 portugueses (3% da população) sofrem de onicomicose.

As pessoas de idade

As pessoas de idade com alterações de circulação são susceptíveis à fragilidade das unhas. O espessamento das unhas e a secura da pele é um processo de carácter fisiológico inerente à idade. Os problemas de mobilidade dos idosos, a falta de flexibilidade e os problemas de visão, incapacitam o corte ungueal correcto, especialmente se estiveram deformadas. Os idosos devem recorrer ao tratamento Podiátrico regular, de modo a garantir um corte e tratamento correcto das unhas.

Sinais de alarme:

Alterações de textura ou formato da unha, mudança da cor (amarelecimento, por exemplo), sinal de infecção, deve ser discutido com o Podologista. O seu Podologista pode diagnosticar o problema e adverti-lo para o melhor tratamento.
Para prevenir as doenças das unhas é importante:
- Cortar as unhas de forma recta, não arredondar os cantos da unha, para evitar o encravamento.
- Utilizar um alicate de qualidade para o seu corte, não partilhar os instrumentos de corte, não cortar as unhas muito rentes.
- Escolher calçado confortável e de qualidade, com tamanho apropriado ao seus pés.
- Manter os pés sempre limpos e secos, especialmente entre os dedos, de modo a evitar a proliferação de fungos, que possam infectar as unhas.
- Calçar meias de fibras de qualidade, pouco restritivas, que evitem o excesso de transpiração.
- Ter cuidado com locais favoráveis ao desenvolvimento de fungos: balneários, piscinas, jardins e duches, evitando andar descalço ou partilhar calçado ou toalhas.
Corte Ungueal Correcto
Corte Ungueal Correcto

Como o seu Podologista o pode ajudar:

Os Podologistas ou Podiatras são profissionais de saúde altamente qualificados e treinados para a prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação das patologias dos pés. Os programas continuados de educação e especialização da carreira, garantem o melhor desempenho da sua função.
Visite o seu Podologista com regularidade, de modo a prevenir problemas futuros, aliviar a dor e o ajudar a conseguir uma melhor mobilidade.

Problema de pele dos Pés

 Infecções por Dermatófitos – Pé de Atleta

As micoses são infecções da pele causadas por fungos, microorganismos que se alimentam de células da pele e que sobrevivem em ambientes fechados, ao mesmo tempo quentes e húmidos. São duas as micoses do pé: a micoses da pele (pé-de-atleta) e as micoses das unhas (onicomicoses)
As dermatofitoses, tinhas ou dermatomicoses são micoses causadas por um grupo de fungos conhecidos como dermatófitos.
Os dermatófitos constituem um grupo de fungos que, em vida parasitária, têm a capacidade de invadir tecidos queratinizados de humanos e outros animais, causando infecções denominadas dermatofitoses. Os fungos dermatófitos que frequentemente causam o pé de atleta pertencem a dois géneros – Trichophyton e Epidermophyton. Destes, as espécies Trichophyton rubrum e Trichophyton Mentagrophytes são as mais comuns.
Os dermatófitos podem atingir qualquer área do nosso corpo como por exemplo o estrato córneo da pele, as placas ungueais (unhas das mãos ou dos pés) ou os pêlos. O aspecto varia desde a descamação ligeira até um processo inflamatório mais intenso associado a prurido (comichão). Os locais de infecção incluem o pé, as unhas, as virilhas ou o couro cabeludo.
As manifestações clássicas na planta dos pés caracterizam-se por pequenas vesículas (bolhinhas) com conteúdo límpido, que após secagem se tornam avermelhadas e descamativas, podendo estar ou não associadas a comichão, conhecida por disseminação tipo “moucassin”, onde toda a planta do pé e o seu contorno lateral se encontra afectado Nos espaços interdigitais, sobretudo entre o 4º e 5º dedos, causa prurido, descamação, maceração e fissuras.
Infecção Fúngica
Infecção Fúngica (Pé de Atleta)

Difíceis de erradicar

Eliminar por completo os fungos que se instalam nos pés e nas unhas é difícil, pelo que o tratamento é sempre prolongado. O tratamento depende da gravidade da infeção, podendo ser utilizados medicamentos antifúngicos tópicos (cremes, pomadas, soluções ou pós de aplicação localizada) e medicamentos antifúngicos orais.
O importante é iniciar o tratamento o mais cedo possível, de modo a evitar que a micose se agrave. Consulte o seu Podologista atempadamente.
Curiosidades:
Estima-se que cerca de 10 a 15% da população mundial, pode ser infectada por dermatófitos no decorrer de suas vidas

Outras infecções

Candidíase interdigital
A candidíase é uma infecção micótica causada por um grupo de leveduras relacionadas. Quando as condições ambientais são particularmente favoráveis (tempo húmido e quente) ou quando as defesas imunitárias do indivíduo se encontram comprometidas, o fungo pode infectar a pele. Tal como os dermatófitos, a Candida cresce bem em condições quentes e húmidas. As manifestações localizam-se na pele ou apresentar disseminação sistémica (situação rara). Os factores predisponentes incluem diabetes mellitus, imunodeficiênciass celulares e HIV. Localizações frequentes incluem a cavidade oral (sapinho), áreas maceradas e cronicamente húmidas, área periungueal (em redor das unhas), zonas interdigitais dos pés. O espaço entre os dedos apresenta-se com  aspecto macerado, acompanhado de um odor desagradável.
Verrugas plantares
São pequenas formações sólidas rugosas na superfície da pele, provocadas pela instalação de um vírus (papilomavírus humanos) na camada superficial da pele. As verrugas plantares são firmes e redondas, com uma superfície áspera e a base profundamente implantada na planta ou nos dedos dos pés. Podem ser únicas ou múltiplas e são frequentemente dolorosas. Após remoção indolor da camada superficial, realizado na consulta de Podologia, verifica-se a presença de pequenos pontos escuros. Estes pequenos pontos são vasos sanguíneos que irrigam a verruga, inexistentes nos calos e calosidades. As verrugas têm carácter contagioso. Consulte o seu Podologista caso apresente alguma lesão com as características mencionadas.
Verruga Plantar
Verruga Plantar
Curiosidades:
A designação “pé de atleta” é vulgarmente entendida como a infecção dos pés por fungos denominados “dermatófitos”. O pé-de-atleta afecta mais de 2 milhões de portugueses e mais de 25% da população europeia. Esta doença tem esta denominação porque está associada a quem pratica desporto, mas não significa que não venha afectar quem não faça desporto. Os balneários, as piscinas e as pedicures são pontos de contágio.

Como o seu Podologista o pode ajudar:

Os Podologistas ou Podiatras são profissionais de saúde altamente qualificados e treinados para a prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação das patologias dos pés. Os programas continuados de educação e especialização da carreira, garantem o melhor desempenho da sua função.
Visite o seu Podologista com regularidade, de modo a prevenir problemas futuros, aliviar a dor e o ajudar a conseguir uma melhor mobilidade.

Palmilhas

O que são ortóteses plantares?

O termo ortótese, etimologicamente provém do grego “orthos” que significa direito e representa um dispositivo médico que auxilia ou facilita uma função, assim, uma ortótese plantar pode ser utilizada para prevenir um movimento indesejado, dar assistência a um movimento indesejado, resistir uma deformidade ou manter um segmento na posição correcta.
A ortótese plantar (conhecido por palmilha) pode ser usada para redistribuir forças ou aliviar pressões excessivas sobre determinada área do pé. Existem vários tipos de ortóteses plantares. As ortóteses prescritas pelo seu Podologista são realizadas de forma personalizada, adaptadas a cada situação clínica.

Quem utiliza ortóteses plantares?

Pessoas de todas as idades com problemas nos pés ou membros inferiores podem necessitar de ortóteses plantares. Pessoas que praticam desporto, vulgarmente utilizam ortóteses para aumentar a sua performance ou corrigir qualquer problema mecânico. Qualquer um de nós que sofra de um problema crónico a nível dos pés ou membro inferior que limite a sua mobilidade ou independência pode beneficiar do uso de ortóteses plantares.

Em que situações são prescritas ortóteses plantares?

As ortóteses plantares permitem que todo o processo de caminhar, correr ou o estar de pé seja mais cómodo e confortável. As ligeiras alterações biomecânicas produzidas pelas ortóteses plantares, permitem uma melhor adaptação do pé ao solo, permitindo uma locomoção ou bipedestação mais eficiente e sem dor.
A prescrição das ortóteses plantares, pelo seu Podologista, é realizada tendo em consideração a avaliação individual de cada paciente. São avaliadas as alterações patológicas dos pés, os factores ocupacionais e de estilo de vida. A prescrição de ortóteses plantares pode actuar como tratamento conservador de diversas patologias dos pés, actuar como redistribuidor das forças de pressão do corpo e do pé e melhorar a postura corporal. Igualmente, as ortóteses plantares ajudam a prevenir a formação de calosidades, úlceras plantares, recorrência de entorses e estiramentos. Têm de igual modo, um papel importante na reabilitação pós cirúrgica e no tratamento da dor aguda ou crónica do pé.

Tipos de ortóteses:

As ortóteses plantares são realizadas de forma e de materiais diversos. Todas elas servem para melhorar a função do pé e reduzir as tensões que em último término, possam causar deformidades e dor no pé.
As ortóteses plantares classificam-se em três grandes grupos: as que pretendem principalmente modificar a função do pé (ortóteses correctivas ou compensatórias), as que são principalmente de natureza protectora (ortóteses preventivas), e as que combinam o controlo funcional e a protecção.

Ajuste exacto, função e suporte

Na prescrição de ortóteses plantares, o seu Podologista, promove um conjunto de critérios que asseguram a segurança e a eficiência do uso das ortóteses plantares, incluindo:
  • Uma avaliação clínica de todo o pé e membro inferior prévia à prescrição das ortóteses plantares.
  • Uma prescrição tendo em consideração as necessidades individuais de cada paciente, sendo por isso, as ortóteses plantares, executadas de forma personalizada.
  • Um controlo completo da prescrição, execução e aplicação das ortóteses plantares.
  • Uma avaliação de continuidade do uso das ortóteses plantares, ajuste e adaptação ao calçado.

Como o seu Podologista o pode ajudar:

Os Podologistas ou Podiatras são profissionais de saúde altamente qualificados e treinados para a prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação das patologias dos pés. Os programas continuados de educação e especialização da carreira, garantem o melhor desempenho da sua função.
Visite o seu Podologista com regularidade, de modo a prevenir problemas futuros, aliviar a dor e o ajudar a conseguir uma melhor mobilidade.

Séniores

Séniores

Com o passar dos anos, os nossos pés têm tendência a desenvolver problemas. Uma concepção errada, bastante comum, é o facto de pensarmos que com a idade os pés doridos são uma situação normal. Esta crença é errada. O desconforto e a dor não são consequências naturais do envelhecimento. Muito se pode fazer para melhorar o conforto, aliviar a dor e manter a saúde dos pés para a vida.

O espelho da nossa saúde

A condição de saúde dos nossos pés, muitas vezes é o indicador primário de alterações sistémicas, tais como a diabetes, a artrite e as doenças circulatórias. Por esta razão, o pé humano é por vezes chamado de “espelho da saúde”. Esteja atento a sinais tais como, pele seca, unhas quebradiças, sensação de queimadura e formigueiro, calafrios, dormência e descoloração. Procure a opinião do seu Podologista sempre que apresentar algum destes sinais.

Os problemas dos pés podem ser prevenidos

Por volta dos nossos 50 anos de idade, os nossos pés perderam cerca de metade da capacidade de absorção de choque conferida pelo panículo adiposo do pé (gordura da planta do pé responsável pela absorção dos impactos durante a marcha). Em associação ao aumento de peso corporal, esta situação pode afectar os ossos e os ligamentos.
Muitos de nós, incluindo as pessoas idosas, acreditam que é normal que os pés doam, e simplesmente resignam-se a esta situação, que pode ser tratada e melhorada. Existem descritas acima de 300 condições patológicas dos pés. Algumas delas são hereditárias, mas a maior parte das alterações, são provocadas pelo efeito acumulativo de anos de desgaste e negligência. Contudo, mesmo nas pessoas de idade, os problemas dos pés podem ser tratados com sucesso, tendo como objectivo o alívio da dor e a promoção da mobilidade e independência.
Quando alcançamos os 50 anos de idade, os nossos pés percorreram 86.000 quilómetros, fazendo com que fiquem mais susceptíveis a doenças e lesões. Estudos clínicos, demonstram que a partir do 50 anos de idade, estamos 80% mais susceptíveis ao desenvolvimento de artrite do pé e do tornozelo, assim como, 90% mais sujeitos ao desenvolvimento de deformações das articulações do pé e dos dedos dos pés.
Promover a condição de saúde dos seus pés traz muitos benefícios, incluindo a promoção do seu conforto pessoal, limita a possibilidade do aparecimento de problemas médicos adicionais, reduz as hipóteses de internamento hospitalar devido a infecções e mantêm-no mais activo e móvel.

Alguns conselhos práticos

  • Um calçado bem adaptado é essencial. Para as actividades diárias, o uso de calçado com uma sola firme, anti-derrapante e um bom suporte na zona do calcanhar garantem uma melhor estabilidade. O uso de chinelos, gastos e com muito uso, durante as actividades diárias provocam instabilidade do pé.
  • Compre o calçado no final da tarde. No final do dia os pés atingem o tamanho máximo (devido ao inchaço).
  • Caminhar é o melhor exercício para os seus pés.
  • As meias ou collants devem ter o tamanho correcto e de preferência não devem ter costuras.
  • Não use meias ou collants que façam a constrição da circulação. Atenção aos elásticos apertados.
  • À excepção da praia, evite andar descalço, mesmo em casa, evitando possíveis traumatismos (queda de objectos, tropeçar nos móveis)
  • Não realize o corte de calos ou calosidades com lâminas, canivetes ou outros instrumentos e não utilize produtos de venda livre a menos que sejam recomendados pelo seu Podologista.
  • Lave os seus pés em água morna (não quente), utilizando um sabão preferencialmente suave. Teste a temperatura da água com a mão. Após a lavagem diária aplique um creme hidratante.
  • Corte ou lime as unhas de forma recta. Não corte os cantos das unhas.
  • Inspeccione os seus pés diariamente, ou tenha alguém que o faça por si. Se notar algum ferimento, fissura ou dor, consulte o Podologista.
  • Consulte o Podologista pelo menos duas vezes por ano.

O cuidado com as unhas

As pessoas de idade com alterações de circulação são susceptíveis à fragilidade das unhas. O espessamento das unhas e a secura da pele é um processo de carácter fisiológico inerente à idade. Os problemas de mobilidade dos idosos, a falta de flexibilidade e os problemas de visão, incapacitam o corte ungueal correcto, especialmente se estiveram deformadas (demasiadamente espessas). Os idosos devem recorrer ao tratamento Podiátrico regular, de modo a garantir um corte e tratamento correcto das unhas.

Como o seu Podologista o pode ajudar:

Os Podologistas ou Podiatras são profissionais de saúde altamente qualificados e treinados para a prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação das patologias dos pés. Os programas continuados de educação e especialização da carreira, garantem o melhor desempenho da sua função.
Visite o seu Podologista com regularidade, de modo a prevenir problemas futuros, aliviar a dor e o ajudar a conseguir uma melhor mobilidade.

Dores no calcanhar

Dores no calcanhar

A dor no calcanhar designa-se por talalgia e é uma das alterações mais frequentes da consulta de Podologia. A origem da dor do calcâneo é tão variada que podemos estar perante um processo banal, causado por exemplo, pelo exercício físico após o treino, como a presença do esporão do calcâneo, ou uma manifestação reumática mais complexa.

Quem é mais vulnerável à dor do calcanhar?

A maior incidência da talalgia (dor do calcâneo) é verificada em homens e mulheres de meia-idade. Também se verifica em indivíduos que praticam exercício físico regular (devido a forças de impacto e estiramento), bem como em pessoas obesas ou que caminhem muito durante o dia.

As causas da dor do calcanhar

A dor do calcanhar apesar das inúmeras etiologias, normalmente e na maioria dos casos está associada a alterações biomecânicas (anomalias da posição do pé ou forma de caminhar) do próprio indivíduo. Estas alterações podem causar excesso de pressão do próprio osso (osso calcâneo), ou nos tecidos moles em seu redor.
O stress pode ainda resultar de um traumatismo ocorrido durante a corrida ou salto, mau calçado (nomeadamente desgaste do calçado), ou ainda pelo excesso de carga ponderal do indivíduo (obesidade).
As doenças sistémicas como a artrite ou diabetes podem também contribuir para a dor.

Complicações comuns

Esporão do calcâneo: Uma das causas comuns da dor do calcâneo é o esporão do calcâneo, uma projecção óssea situada na zona plantar do calcâneo. Não se verifica nenhuma alteração visível no calcanhar, sendo somente detectado por Rx. O paciente manifesta uma dor, localizada na parte plantar interna do calcanhar. Aproximadamente 10 % da população pode apresentar esporão do calcâneo sem manifestar dor.
Admite-se que o esporão do calcâneo se forma por tracção excessiva ou microtraumatismo repetido da fáscia plantar, provocado na maioria dos casos por desequilíbrios biomecânicos.
Imagem Radiológica do Esporão do Calcaneo
Imagem Radiológica do Esporão do Calcaneo
Fasceíte plantar: A dor do calcanhar e o esporão do calcâneo está frequentemente associado com a inflamação da fáscia plantar (banda de tecido conjuntivo fibroso que envolve a planta do pé desde o calcanhar à zona anterior do pé). A inflamação deste arco plantar é denominado fasceíte plantar.
A inflamação pode ser agravada pela falta de suporte do calçado, especialmente na área do arco plantar, e pelo consequente estiramento da fáscia plantar.
Localização da dor na Fasceíte Plantar
Localização da dor na Fasceíte Plantar

Outras causas da dor do calcanhar

  • Movimento pronatório excessivo do pé (queda do lado interno do pé para dentro).
  • Inflamação das bolsas serosas (bursite) do trajecto posterior do calcâneo.
  • Compressão nervosa (síndrome do canal társico)
  • Traumatismos ou fracturas de stress do calcâneo.

Como ultrapassar o problema?

Se a dor e outros sintomas de inflamação persistirem, tais como, dor localizada ao colocar o pé no chão, vermelhão, edema e aumento da temperatura local, deve consultar o seu Podologista. O seu Podologista poderá requerer a realização de Rx apropriados para a visualização de possível esporão do calcâneo ou fractura.

Tratamento

O tratamento inicial pode envolver recomendação de calçado apropriado, ligadura de compressão e anti-inflamatórios locais. Se o seu Podologista observar possível alteração biomecânica do pé ou da marcha, a aplicação de uma palmilha personalizada, adaptada à situação sua clínica, contribuirá para a resolução do problema.

Recuperação

A sua recuperação irá depender do factor etiológico (causa) da dor do calcanhar e do seu estado individual de saúde. Num indivíduo saudável, com esporão do calcâneo ou fasceíte plantar, normalmente demorará seis a oito semanas a apresentar melhorias clínicas.

Prevenção de futuros problemas

Calçado: Compre sapatos que se adaptem ao seu pé – frente, zona posterior e laterais do calçado. Sola amortecedora de impactos e zona do calcanhar com suporte. Não calce sapatos com desgaste excessivo na sola e calcanhar.
Alongamentos e exercício: Faça uma preparação prévia ao exercício. Faça exercícios de aquecimento antes de correr ou caminhar e exercícios de alongamento no final do treino. Aproprie as suas actividades atléticas ao seu estado de adaptação ao treino e à sua saúde. Se tem excesso de peso, experimente actividades que necessitem pouca carga, tal como a natação ou bicicleta.

Como o seu Podologista o pode ajudar:

Os Podologistas ou Podiatras são profissionais de saúde altamente qualificados e treinados para a prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação das patologias dos pés. Os programas continuados de educação e especialização da carreira, garantem o melhor desempenho da sua função.
Visite o seu Podologista com regularidade, de modo a prevenir problemas futuros, aliviar a dor e o ajudar a conseguir uma melhor mobilidade.

terça-feira, 4 de Janeiro de 2011

Verrugas plantares

VERRUGAS PLANTARES
As verrugas plantares são lesões da pele produzidas pelo vírus do papiloma humano (HPV) de tamanho variável e superfície irregular.

A pressão exercida pelo peso do corpo contra o sapato faz com que a verruga cresça para o interior da sola do pé contrariamente a outras zonas do corpo, provocando bastante dor e incómodo, e dificuldade em caminhar.
 
São conhecidos mais de 80 tipos de verrugas e por serem bastante contagiosas podem originar novas verrugas a outros pontos do pé ou mesmo a outras pessoas, mas nem todas as pessoas são susceptíveis ao vírus. Tem que haver uma predisposição para adquirir a doença.
O seu período de incubação varia de 1 a 21 meses (média de 4 meses).
Muitas vezes erradamente identificadas como calos, as verrugas plantares diferenciam-se destes por apresentarem uma rica rede de capilares dando à verruga plantar um aspecto rendilhado e dor intensa quando comprimidas lateralmente sendo relativamente indolores à compressão central; já os calos são mais dolorosos à compressão central.

Unhas Encravadas

UNHAS ENCRAVADAS (onicocriptose)
 
A unha encravada ocorre quando uma ponta da unha se enterra na pele ao seu redor podendo dar origem a inflamação, inchaço ou vermelhidão, e é geralmente causada pelo hábito errado de cortar os cantos das unhas.
Na maior parte dos casos, a dor só aparece ao andar mas também pode persistir mesmo em repouso.
 
Ao andarmos, devido à dor, temos tendência a não apoiar o dedo dolorido, o que nos leva a adquirir posturas erradas e viciosas ou alterar a marcha.
A extração da unha deve ser evitada pois, quando ela voltar a crescer, pode encravar novamente. O tratamento podológico visa desobstruir a passagem da unha, que pode então crescer livremente.
  
Causas: 
  • CALÇADO - Foi criado para proteger e adaptar-se à formação e comportamento dinâmico do pé, mas a moda transformou-o num objecto de beleza externa e tortura interior.
  • MORFOLOGIA DA UNHA - Quando as unhas apresentam uma curvatura maior do que a normal. Em geral, as unhas encurvadas pressionam o tecido.
  • MORFOLOGIA DO DEDO – Quando existem deformações nos dedos (dedo em garra, dedo em martelo, dedo sobreposto, etc…).
  • MORFOLOGIA DO PÉ - Desequilíbrio nos pontos de apoio plantar.
  • POSTURAS DE DESCANSO ERRADAS - Quando se dorme de barriga para cima, a pressão dos cobertores sobre os dedos em pacientes que têm a sensibilidade diminuída (diabéticos) associada a outros factores. (ex.: crianças em fase de amamentação que, por dormirem de barriga para baixo, desencadeiam o processo por pressionar o dedo contra o colchão).
  • HIPERHIDROSE (excesso de transpiração) - Permite com facilidade que a unha se incruste no tecido macio.
  • UNHAS MUITO CURTAS, SUBMERGIDAS - Quando a unha fica “submergida” devido ao mau corte e entra em confronto com o calçado.
  • CORTE INCORRETO DAS UNHAS - Quando se deixa na zona lateral das unhas alguma parte da mesma (espícula), que com o crescimento ou compressão gera o problema.
  • TRAUMATISMOS VIOLENTOS – Quando acontecem pisadelas, tropeções, queda de objectos pesados, etc.
  • FACTORES GENÉTICOS – Quando algum progenitor tem propensão para esta patologia.
 
Cuidados com as unhas:
  • - não cortar as unhas até o "sabugo", deixe sempre uma pequena porção da borda livre;
  • - não cortar as unhas pelos cantos;
  • - Cortar as unhas a direito;
  • - não retirar ou afastar as cutículas, pois protegem a matriz ungueal da acção de substâncias químicas e/ou microorganismos;
  • - Evitar o uso de endurecedores de unha, pois podem causar ressecamento e manchas;
  • evitar deixar os pés húmidos por muito tempo.
 
Existem técnicas mecânicas para correcção das unhas encravadas chamadas ortoníxias.
As ortoníxias são pequenos aparelhos metálicos que permitem a correcção do arco da unha de forma gradual.
Não é um processo traumático nem doloroso e não é necessária a extracção da unha para que ela seja corrigida.
Esta técnica só deve ser aplicada por podologistas, pois são profissionais altamente qualificados, com amplo conhecimento em anatomia e patologias dos pés.
 
NÃO ESQUEÇA:
- um mau corte da unha, resulta em perda do sulco e consequente encravamento.
- não retome os hábitos antigos após verificar melhoras, pois o problema terá uma forte tendência a reaparecer.

Transpiração

TRANSPIRAÇÃO (hidrose)
Como hidrose entende-se suor/transpiração.
A transpiração é importante para o organismo, pois controla a temperatura do corpo e elimina as toxinas através dos poros.
A quantidade de transpiração produzida varia de pessoa para pessoa, de acordo com a idade, sexo ou raça, influenciada também por factores endógenos ou exógenos.
 
TIPOS DE HIDROSES:
- Hiperhidrose – excesso de transpiração
- Bromidrose – transpiração com mau cheiro
- Anidrose – défice de transpiração
- Disidrose – aparecimento de erupções cutâneas
 
A hiperhidrose é a produção excessiva de suor sem cheiro desagradável.
Entre as suas causas estão os estímulos emocionais ou uma maior sensibilidade dos centros reguladores de temperatura (provocada pelo exercício físico).
Na hiperidrose emocional, a transpiração aumenta em situações de desconforto ou tensão emocional. O incómodo causado pode trazer ainda mais tensão ao paciente, piorando o seu quadro clínico e trazendo dificuldades de relacionamento ou, até mesmo, profissionais. Nestes casos o apoio psicológico pode ajudar bastante.
 
Convém salientar que quando ocorre a hiperhidrose, não ocorre necessariamente a bromidrose (transpiração com cheiro desagradável). Isso dependerá de alguns factores (hormonais, alimentares, medicamentosos, meio-ambiente ou vestuário), juntamente com falta de higiene e origem genética, que influenciará directamente, podendo também aparecer alguma maceração (aspecto esbranquiçado da pele) ou descamação da pele.
 
A anidrose é o oposto da hiperhidrose, caracterizando-se assim por défice de transpiração. Tem como causas principais a falta de alimentação, a falta de higiene e a falta de saneamento básico.
 
A disidrose é caracterizada pelo aparecimento de erupções cutâneas de carácter reincidente e que provoca muita comichão, podendo também ser completamente assintomática (sem presença de sintomas).
Uma vez que é uma patologia reincidente pode durar entre uma a duas semanas, com consequente ressecamento e descamação nos locais atingidos.
Estas lesões podem ocorrer em pequeno número, mas nalguns casos atingem toda a superfície dos pés.
 
Para evitar as hidroses, deve:
- Lavar os locais afectados, ensaboando bem e dando preferência a sabonetes anticépticos;
- Secar bem a pele após o banho, especialmente entre os dedos dos pés;
- Trocar as roupas e meias diariamente;
- Evitar o uso de tecidos sintéticos, dando preferência ao algodão;
- Preferir calçados abertos;
- Manter sempre o calçado limpo;
- Evitar deixar a pele húmida muito tempo.
 
Em qualquer dos casos deve consultar o seu podologista para indicação do tratamento mais adequado ao seu caso.

Neuroma de Morton

NEUROMA DE MORTON
Neuroma de Morton é o espessamento do tecido que envolve um nervo interdigital (normalmente entre os terceiro e quarto dedos) causando dor frequentemente. É geralmente uma resposta à irritação, trauma ou pressão excessiva do nervo.
Existe uma maior incidência do Neuroma de Morton nas mulheres numa relação de 8 a 10 vezes mais do que nos homens.

Sintomas:

- Dor ardente nos dedos do pé que pode espalhar-se à planta do pé. A dor intensifica-se geralmente com actividade ou com o uso de sapatos inapropriados;
- Pode também haver um "formigueiro" ou perda de sensibilidade nos dedos do pé.

Causas:

- Os praticantes de atletismo podem sentir dor aquando da partida das suas provas.
- Os sapatos de salto alto podem também agravar o problema.
- Os sapatos apertados e estreitos também agravam este problema comprimindo os ossos do dedo do pé e comprimindo o nervo.

Aconselha-se:
- a palpação da zona de dor de forma a sentir uma massa, um "clique" entre os ossos ou dor;
- o não uso de sapatos de salto alto ou apertados, dando preferência a sapatos mais largos com saltos mais baixos e uma sola macia, permite aos ossos estenderem-se e reduzir a pressão no nervo, dando-lhe tempo para sarar;

- sentar, tirar o sapato e massajar a planta do pé para aliviar a dor.

Diversos estudos demonstraram que a combinação de sapatos mais espaçosos, mais confortáveis com palmilhas personalizadas feitas por medida, proporcionaram alívio a 80% das pessoas que sofria de Neuroma de Morton.

Micoses da pele e da Unha

Micoses 
As micoses são causadas por fungos que gostam do calor, pois este favorece a sua propagação.
Praticamente todas as pessoas estão expostas ao contágio, pois os fungos proliferam um pouco por toda a parte, reproduzindo-se quando estão reunidas as condições ideais que conjugam temperatura elevada, humidade e escuridão.
 
Existem dois tipos de micoses no pé:
- na Pele
- na Unha
 
Qualquer que seja a sua forma as micoses são muito incómodas.
Existe tratamento, mas deve sempre ser recomendado por um podologista. É quase sempre prolongado não devendo ser interrompido assim que terminem os sintomas, pois os fungos podem resistir nas camadas mais profundas da pele.
 
 
Os pés são áreas cutâneas constantemente submetidas à acção do calor e humidade. Estes dois factores para além de favorecerem a colonização e desenvolvimento dos fungos, promovem localmente a maceração e fissuração da pele. Assim, estão reunidas as condições necessárias para a instalação da infecção fúngica.
 
A dermatomicose mais frequente e conhecida é o, vulgarmente chamado, pé-de-atleta.
Estima-se que cerca de 21% da população adulta possa estar afectada por pé de atleta.
Normalmente entre o 4º e 5º dedos, esta patologia causa prurido, descamação, maceração e fissuras podendo estender-se às outras pregas interdigitais, à superfície plantar dos pés e até pode atingir as unhas.
 
O nome ‘pé de atleta’ (quando localizado entre os dedos), deve-se ao facto desta forma de dermatomicose afectar mais frequentemente os desportistas. Devido ao facto da transpiração proporcionar um ambiente favorável ao seu desenvolvimento (as pessoas que suam muito dos pés deverão ter pelo menos dois pares de palmilhas personalizadas que deverão alternar, ou dois pares de sapatos, permitindo a um secar enquanto utilizam o outro), o desporto é um dos maiores aliados desta patologia. Contudo, nem tudo o que aparece nos pés de um desportista é pé-de-atleta e nem só os desportistas têm pé-de-atleta. Também a população em geral pode ser afectada, sendo mais frequente nos homens do que nas mulheres.
 
Sintomas:- Prurido (comichão)
- Borbulhas pequenas
- Dor
- Maceração, descamação e gretas interdigitais
- Descamação, secura e/ou fissuras nos bordos laterais dos pés
- Inflamação e rubor da pele
 
Se a pele não for tratada pode continuar a abrir fissuras e gretas, podendo levar a um grande desconforto e dor, bem como, proporcionar um cheiro desagradável.
Contudo, os fungos que originam o pé de atleta não revelam grande virulência.
 
Importa salientar que o número de géneros e espécies de fungos existentes no ambiente é normalmente muito elevado (230 mil tipos de fungos), mas que apenas alguns originam pé de atleta e outras micoses.
  
 
As onicomicoses são infecções das unhas causadas por fungos que se desenvolvem facilmente alimentando-se de queratina (substância responsável pela rigidez das unhas). Além de afectarem gravemente as unhas dos pés, são bastante incómodas e de aspecto desagradável, podendo tornar-se muito dolorosas.
Normalmente surgem por exposição directa aos fungos ou por contágio (pé-de-atleta).
 
Habitualmente, a unha do dedo grande é a primeira a ser afectada. No entanto, todas as outras unhas do pé podem também ser afectadas.
Os primeiros sinais da doença correspondem à modificação da cor da unha (amarelada, acastanhada ou esbranquiçada), ao seu engrossamento, ao aparecimento de depósito (tipo farinha) por baixo da unha, e/ou alteração da forma.
 
As onicomicoses limitam as actividades normais das pessoas, pois tornam doloroso o uso de sapatos, condicionam o andar, para além de serem extremamente desconfortáveis, inconvenientes e embaraçosas.
  
Factores de Contágio:
·   Locais fechados e pouco arejados, nomeadamente locais húmidos e quentes como ginásios, balneários, piscinas, saunas, instalações de apoio dos veraneantes e praias
·   Susceptibilidade/sensibilidade por parte de cada pessoa, mas cuja natureza é ainda desconhecida
·   Baixa imunidade do organismo, que pode ser devida a stress, doenças como a sida e a diabetes, quimioterapia, entre outros
·   Partilha de toalhas, tapetes, meias, sapatos
·   Praticantes de desporto
·   Pessoas menos novas
·   Profissionais de limpeza e jardinagem
·   Quem tem problemas como a diabetes, obesidade, podológicos, doenças cardiovasculares e imunodeficiências, etc.
 
Existem ainda os efeitos psicológicos da doença:
- Causa embaraço e vergonha;
- Provoca medo de contágio a outras pessoas;
- Provoca perda de auto estima, ansiedade e isolamento social.
 
Não esqueça: a interrupção do tratamento favorece a persistência do fungo, ou a sua recaída.
 
O acompanhamento podológico de pessoas com onicomicose garante tratamentos eficazes, principalmente após o resultado de análise ao fungo (procedimento existente na DOUTORPÉ), contribuindo desta forma para a melhoria substancial da qualidade de vida destes doentes.
 
Como tal, deve consultar o seu podologista para indicação do tratamento mais adequado ao seu caso.

Metatarsalgia e Lombalgia


METATARSALGIA  E LOMBALGIA
 Metatarsalgia é uma dor na parte frontal do pé, mais propriamente na zona dos dedos.A principal queixa clínica das metatarsalgias é uma dor semelhante a uma pedra dentro do sapato. Embora pareça que a dor é em toda a parte frontal do pé, geralmente é apenas num osso.

As metatarsalgias, normalmente devem-se, a problemas de alinhamento e tamanho diferente dos ossos ou quando a extremidade de um osso produz maior pressão contra a planta do pé podendo também desenvolver
calosidades.

As Metatarsalgias podem ser:

- Difusas, quando a dor é em toda a zona frontal do pé ou numa parte dele, não podendo ser atribuída a apenas um dedo;
- Localizadas, quando a dor atinge uma área específica.

Os sintomas das metatarsalgias estão directamente relacionados com a marcha ou paragem prolongadas. Assim, no inícioa dor é geralmente leve, pouco incapacitante e melhora com o descanso. Com a evolução e estruturação das deformidades, torna-se intensa, constante e altamente incapacitante.
Causas:
- quando existe um desequilíbrio no apoio do pé

- devido às doenças localizadas na zona frontal do pé
- devido a doenças neurológicas, vasculares, insuficiências arteriais ou venosas, processos reumáticos, artrite reumatóide, gota, etc. e doenças metabólicas como a diabetes
- devido a traumatismos: ferimentos, luxações, fracturas, etc. pois podem produzir desequilíbrio mecânico alterando o apoio do pé.


 Lombalgia é uma dor na região lombar.

A causa pode ser osteoarticular (da coluna) ou outra (orgãos intra-abdominais), por dor irradiada. Exemplos desta são a cólica renal, infecções nos ovários, pielonefrites, pancreatites, etc

Fasceíte Plantar

Fasceíte Plantar
A Fasceíte Plantar é uma inflamação/lesão de esforço na fáscia (tecido fibroso e tenso situado na planta do pé) que afecta a planta do pé desde o calcanhar até aos dedos.
Esta inflamação começa com uma dor suave e gradual no osso do calcanhar descrita frequentemente como uma "picada de agulha" e é mais provável que se sinta após (não durante) o exercício ou ao dar os primeiros passos da manhã.

As probabilidades de se sofrer desta inflamação aumentam, nas mulheres, nos praticantes de exercício físico (atletas profissionais e amadores), se sofrer de excesso de peso, se trabalhar num local com superfícies duras, ou que ande muito.
As pessoas com pé plano ou pé cavo também são mais susceptíveis de desenvolver fasceíte plantar.

A fasceíte plantar não tratada, pode transformar-se numa lesão crónica e incapacitar a realização da actividade desportiva, sob pena de também se desenvolver lesões no pé, joelho, ancas e coluna, uma vez que a fasceíte plantar normalmente provoca má postura.

O descanso é o primeiro tratamento para a fasceíte plantar.

Esporão do calcâneo

ESPORÃO DO CALCÂNEO 

O Esporão do Calcâneo é um tumor ósseo benigno. Define-se como uma espícula óssea, que se desenvolve na parte anterior do calcâneo (osso do calcanhar), especificamente na sua inserção com a fascia plantar.

O osso do calcanhar (calcâneo) é o de maior tamanho em toda a estrutura óssea do e funciona como base de equilíbrio.
Em cada passo que damos, imprimimos todo o peso do corpo no calcanhar, pelo que o impacto na planta do pé e suas estruturas associadas é intensa e constante.
Tipos de esporão do calcâneo:
- Extenso assintomático: não é doloroso e sua posição não interrompe a fáscia plantar.
- Extenso sintomático: produz dor porque a área que ocupa a sua projecção anterior interrompe a fáscia plantar, produzindo inflamação e dor
- Pequeno: pode não aparecer radiologicamente, mas é o mais doloroso não pela sua dimensão ou estrutura, mas pela sua posição que neste caso se projecta para a fáscia plantar rompendo-a agressivamente
Sintomas:
- A dor é o principal sintoma e começa de manhã, quando são dados os primeiros passos e
após os períodos prolongados de repouso;
- Raramente tem inflamação visível, avermelhamento ou outro sinal aparente na pele;
- É frequente entre pessoas que praticam desporto, pessoas com excesso de peso e pessoas com Pé Cavo ou Pé Plano;
- Existe dor pulsante na zona plantar do calcanhar
- Existe dor no repouso e na deambulação.
- Existe dor ao colocar o calçado
Temos que ter sempre presente que a dor no calcanhar nem sempre significa a presença de um esporão.
Orientações saudáveis:
- Usar sapatos com solas suaves, amortecedores e salto adequado (altura não superior a 2,5 cm);
- Usar sapatos fechados e protegidos para levantar grandes pesos;
- Evitar ficar em pé por tempos prolongado desnecessariamente;
- Controlar o excesso de peso corporal;
- Fazer exercícios fortalecedores da musculatura da planta do pé;
- Não iniciar corridas ou saltos sem a devida preparação da musculatura do pé.

Calos e Calosidades

CALOS E CALOSIDADES
(helomas e hiperqueratoses)
 
CALOS
Do tamanho de uma ervilha, os calos formam-se como uma tentativa de protecção do nosso corpo sendo constituídos por uma camada extra de pele que se forma em locais sob constante fricção ou pressão. E no seu centro pode formar-se um pequeno ponto claro.
A sua origem pode ser devida ao tipo de calçado ou dimensão dos dedos, pois os dedos dobram aquando pressionados contra o sapato.

Os calos podem ter uma consistência dura ou mole:
- Calos duros: situam-se geralmente sobre as articulações dos dedos dos pés ou na parte lateral do dedo pequeno.
- Calos moles: geralmente muito dolorosos, encontram-se habitualmente na zona interdigital (entre os dedos do pé) quando friccionados uns contra os outros. Ao contrário da maioria das calosidades, os calos podem causar dor porque o espessamento da pele faz pressão sobre o osso que se encontra por baixo.
Nalguns casos, os calos confundem-se com verrugas plantares, que também contêm uma espessa camada de queratina. No entanto, as verrugas são muito sensíveis quando são comprimidas dos lados, enquanto os calos são mais sensíveis à pressão directa contra o osso.
As CALOSIDADES são espessamentos da pele planos e indolores, geralmente sem limites bem definidos e com dimensão variável.
As calosidades formam-se em articulações e em zonas que suportem peso como as plantas e zonas laterais dos pés, sendo geralmente assintomáticas, a menos que lhes seja aplicada pressão.
 
Causas:
  • - Pés incorrectamente acomodados nos sapatos;
  • - Sapatos demasiado apertados aumentam a pressão no pé;
  • - Sapatos demasiado grandes podem fazer deslizar e friccionar o pé;
  • - Deformidades digitais, tais como o dedo do pé em martelo ou em garra;
  • - Sapatos de salto alto aumentam a pressão no antepé;
  • - Fricção contra uma costura ou ponto duro dentro do sapato;
  • - Meias com o tamanho desajustado;
  • - Andar descalço;
  • - Problemas estruturais como a distribuição inadequada do peso corporal;
  • - Joanetes.
    Nunca fure ou use alicates das unhas, tesouras, lâminas ou qualquer outro instrumento para cortar ou retirar calos e calosidades, pois pode ferir a pele e causar infecções.
Os calos e as calosidades são mais fáceis de prevenir do que de tratar.

Diabetes Mellitus

1         Diabetes Mellitus

A diabetes Mellitus é uma das patologias que mais pessoas afecta em todo o mundo, com consequências nefastas em quase todo o organismo humano. Quando o órgão acometido por esta doença é o pé, surgem uma série de consequências negativas que podem culminar da pior forma.
Pé diabético é por definição “A infecção, ulceração e/ou destruição de tecidos profundos associados a anormalidades neurológica e vários graus de doença vascular periférica no membro inferior”.
Neste trabalho de podologia preventiva abordaremos essencialmente as consequências da diabetes no membro inferior e de que forma as lesões que esta doença pode causar podem ser prevenidas.

1.1       Epidemiologia

Segundo estimativas realizadas pela organização mundial de saúde (OMS) no ano 2000 o número de portadores da doença em todo o mundo rondava cerca de 171 milhões de pessoas, com a estimativa de alcançar os 366 milhões no ano 2025, ou seja, cerca de 4,4% da população mundial da altura.
Estima-se ainda que em 2005, as mortes decorrentes directa ou indirectamente da diabetes mellitus atingiram mais de 1 milhão de pessoas. E dados da nota descritiva nº312 de Setembro de 2006 da OMS revelam que este número poderá aumentar 50% nos próximos 10 anos.
Em Portugal, segundo a associação Protectora dos diabéticos de Portugal (APDP), deveram existir entre 300 a 500 mil pessoas com diabetes mellitus[1].
A mortalidade decorrente de diabetes mellitus no nosso país também varia com o tipo de diabetes em questão. Sabe-se que quando um paciente apresenta diabetes diagnosticada antes dos 15 anos de idade (essencialmente diabetes tipo I) apresenta uma taxa de mortalidade 2 vezes superior à população em geral, enquanto pacientes com diabetes diagnosticada a partir dos 40 anos (essencialmente diabetes tipo II) a taxa de mortalidade aumenta 5 vezes relativamente à população saudável.
 O pé é o lugar mais frequente de localização de infecção entre os indivíduos hospitalizados por diabetes, sendo que as infecções podais ocasionam mais dias de hospitalização que qualquer outra complicação da diabetes (Bild, 1998).

1.2       Tipos de diabetes

Existem 4 tipos de diabetes conhecidos: a diabetes tipo I, a diabetes tipo II, a diabetes gestacional e a diabetes Mody.

1.2.1     Diabetes Tipo I

A diabetes tipo I, também conhecida como diabetes insulino-dependente, em Portugal, afecta cerca de 5-10% do total de todos os casos diagnosticados e atinge na sua maioria crianças e adolescentes, contudo existem raras excepções em que a diabetes tipo I atinge adultos e idosos.
Este tipo de diabetes surge, quando por algum motivo ainda não muito bem esclarecido, as células b do pâncreas (produtoras de insulina) são destruídas, fazendo com que estes pacientes não produzam ou então produzam quantidades insuficientes de insulina.
Apesar de não se saber o motivo pelo qual as células pancreáticas são destruídas, sabe-se que é o próprio sistema imunitário que se encarrega de auto-destruir as células b. As causas deste tipo de diabetes em nada têm a ver com hábitos alimentares errados e sedentarismo como acontece com a diabetes tipo II.
Os diabéticos tipo I, porque o pâncreas deixa de produzir insulina, necessitam de terapêutica com insulina durante toda a sua vida.

1.2.2     Diabetes Tipo II

A diabetes tipo II é conhecida como diabetes não insulino dependente, é o tipo de diabetes mais frequente e está relacionada com a resistência por parte dos receptores insulínicos (a nível dos tecidos periféricos) à própria insulina. Estes doentes normalmente têm antecedentes familiares de diabetes, hábitos alimentação desequilibrados e só adquirem a doença em adultos.
Os doentes de diabetes tipo II têm quase sempre excesso de peso e muitas vezes são mesmo obesos, a prática desportiva é normalmente muito reduzida, frequentemente ingerem grandes quantidades de hidratos de carbono em deterimento de outros nutrientes essenciais ao bom funcionamento orgânico. São também pacientes que usualmente apresentam tensão arterial elevada (hipertensos) e registam elevadas quantidades de gorduras no sangue (colesterol ou triglicerídeos).
Na diabetes tipo II, ao contrário do tipo I, os pacientes têm a capacidade de produzirem insulina, contudo os hábitos alimentares errados associados aos problemas metabólicos decorrentes da hiperglicemia contínua, obrigam o pâncreas a produzir excessivamente insulina, atingindo um ponto de saturação tal, que este órgão deixa completamente de produzir insulina e estes pacientes necessitarem de realizar terapia com insulina.

1.2.3     Diabetes gestacional

Este tipo de diabetes foi definido como: “Uma intolerância aos hidratos de carbono, de grau variável, que é diagnosticada pela primeira vez durante a gravidez” (Metzger, 1998).
É o tipo de diabetes menos frequente dentro de todos os tipos, atingindo cerca de uma em cada 20 grávidas (em Portugal). No total afecta cerca de 7% de todas as grávidas durante um ano. A sua incidência aumenta quando falamos de mulheres de origem asiática, filipina, do médio-oriente e das ilhas do pacífico em geral. A probabilidade de aparecimento de diabetes gestacional é maior no terceiro trimestre de gestação
É causada por alterações hormonais durante a gravidez, que por sua vez, podem alterar a capacidade de resistência à insulina. Embora estas alterações hormonais ocorram em todas as grávidas, apenas algumas desenvolvem diabetes.
Existem ainda alguns factores de risco que façam com que uma mulher saudável apresente maior probabilidade de desenvolver diabetes gestacional como por exemplo:
®   Possuir antecedentes familiares de diabetes tipo I;
®   Possuir história de macrossomia fetal – mais de 4kg;
®   Ter idade igual ou superior a 35 anos;
®   História de 2 ou mais abortos em gestações anteriores
®   Índice de massa corporal superior a 30kg/m2;
®   História prévia de diabetes gestacional em gestações anteriores;
®   Multiparidade – mais de 4 partos
®   Presença de Glicosúria
Este tipo de diabetes normalmente aparece durante a gestação e desaparece após o parto, contudo pode originar complicações não só para a mãe como também para o feto. Este tipo de diabetes pode:
®   Aumentar em excesso o peso do bebé – podendo esta obesidade ser factor etiológico de outras patologias;
®   Se o bebé adquirir um peso superior a 4 kg pode ser necessário um parto por cesariana ou um parto prematuro;
®   As mulheres que tenham história da diabetes gestacional correm um risco muito elevado de mais tarde desenvolverem diabetes tipo II (normalmente durante a menopausa, que é quando se dá nova desorganização metabólica);
®   Pode conduzir a abortos espontâneos, principalmente quando os valores de hiperglicemia estiverem extremamente elevados.
Como em qualquer patologia a melhor forma de evitar a diabetes gestacional é prevenindo e para isso todas as mulheres que pensem em ter filhos, devem realizar análises frequentemente, exercício físico, alimentação cuidada e evitar a ingestão de produtos como o café ou o tabaco.
Outra forma de prevenir o aparecimento desta patologia, é por volta das 28º semana de gestação realizar exame sanguíneo para verificar o nível de glicose sanguínea, por norma se esta se encontrar muito elevada basta exercício físico e boa alimentação para minimizar os efeitos da patologia, contudo existem casos em que as gestantes necessitam mesmo de terapia farmacológica com todas as desvantagens que isso apresenta para o feto.

1.2.4     Diabetes Mody

Moby é a sigla de Maturity – onset diabetes of the young. Este tipo de diabetes como o próprio nome indica afecta maioritariamente adultos jovens (abaixo de 25 anos) mas também crianças e adolescentes.
A diabetes Mody foi descrita a primeira vez em 1974, atinge hoje em dia cerca de 2% dos doentes diabéticos, admitindo que em Portugal existem cerca de 500 mil diabéticos, cerca de 10 mil são tipo Mody, contudo grande parte destes doentes acaba por ser classificado diabetes tipo I ou diabetes tipo II.
Apresenta-se com as características da diabetes tipo II mas a sua origem não está numa resistência à insulina causada por maus hábitos alimentares e sedentarismo mas sim numa mutação genética com transmissão autossómica dominante (com pelo menos 3 gerações afectadas por diabetes).
Dentro da diabetes Mody existem vários subtipos da doença conforme o gene que se encontra envolvido, assim sendo hoje em dia conhece-se: a diabetes Mody 1, 2, 3, 4, 5 e 6.
Cada subtipo da diabetes Mody tem evoluções diferentes e por isso mesmo a caracterização genética aumentará a informação relativa ao prognóstico, além disso o conhecimento do subtipo de Mody em causa poderá ter implicações sobre o esquema terapêutico a adoptar, segundo o grau de exigência relativo ao controlo metabólico.
O estudo genético dos restantes membros da família de um paciente deste tipo possibilitará a identificação de outros membros da família em que a mutação genica está presente. Se a mutação se encontrar em outros membros, cuja diabetes ainda não se tenha manifestado, deve-se incentivar a adopção de estilos de vida saudáveis para que o desenvolvimento da diabetes seja o mais tarde possível.
As premissas necessárias para o diagnóstico de diabetes tipo Mody são:
®   Diagnóstico de diabetes mellitus efectuado antes dos 25 anos de idade em pelo menos um membro da família;
®   Transmissão autossómica dominante, com pelo menos 3 gerações atingidas pela diabetes mellitus;
®   Capacidade de controlo da diabetes sem recurso à isulinoterapia (e sem desenvolver cetoacidose) durante um período, de pelo menos, 2 anos ou níveis significativos do peptídeo C.

1.2.5     Outros tipos de diabetes

Se considerarmos a diabetes como uma patologia cujo principal afectado é o normal metabolismo da glicose, existem muitas outros tipos de diabetes associadas a síndromas e doenças, como por exemplo:

1.2.5.1     Diabetes secundária a doenças pancreáticas

Existem patologias a nível do pâncreas que inibem a produção de insulina nas células b ou pura e simplesmente destroem este tipo de células, tanto uma razão como outra e aumentam a hiperglicemia, pelos processos estudados no capítulo “A bioquímica da diabetes”; são elas: pancreatite, hemocromatose, neoplasia do pâncreas, pancreotctomia, etc.

1.2.5.2     Diabetes secundária a doença hormonal

As doenças hormonais que mais comummente causam diabetes mellitus são: acromegalia, síndrome de cushing, feocromocitoma e glucagoroma.

1.2.5.3     Diabetes induzido por fármacos

Existem fármacos que podem, se forem tomados de uma forma contínua, originar diabetes mellitus – são eles: Corticoesteróides, diazóxido, tiazidas e contraceptivos orais (efeitos mais fracos).

1.2.5.4     Diabetes “genética”

Existem certas síndromas genéticos como a diabetes lipoatrófica (ausência completa de tecido adiposo), que vão originar estados de hiperglicemia.

1.3       Consequências gerais de diabetes

1.3.1     Neuropatia

Neuropatia é por definição: “A denominação genérica dada a todas as doenças degenerativas não inflamatórias que atingem os nervos” (Manuel Freitas Costa, 2005). Na diabetes mellitus existem duas teorias para a sua origem: a teoria vascular e a teoria via do poliol.
Em ambas as teorias a consequência final é a mesma: a perda de sensibilidade com todas as sequelas que esta pode originar.

1.3.2     Complicações vasculares

A complicação vascular ou angiopatia é definida como: “Doença vascular sanguínea”[2] . A relação entre a origem deste tipo de doença e a diabetes Mellitus tem vindo a ser explicada ao longo do tempo por vários especialistas.
Na década de 60 do século passado, Sipperstein considerou o espessamento da membrana basal dos capilares sanguíneos como um dado promonitor a curto prazo da manifestação clínica da diabetes.
As complicações vasculares podem ser microangiopáticas afectado sobretudo pequenos vasos sanguíneos como os da retina ou as pequenas arteríolas dos dedos do pé, mas também podem ser complicações macrovasculares afectando vasos sanguíneos de grande calibre, podendo comprometer a irrigação sanguínea de grandes áreas.
A diabetes por mecanismos ainda hoje desconhecidos, mas que se pensam relacionados com a hiperglicemia origina disfunções a nível do endotélio dos vasos sanguíneos, nomeadamente:
®   Diminuição da síntese de oxido nítrico (vasodilatador e antiagregante plaquetário)
®   Diminuição da prostaciclina (vasodilatador e antiagregante plaquetário );
®   Aumento do tromboxano A2 (vasoconstritor);
®   Aumento da endotelina (vasoconstritor);
®   Aumento do factor de Willebrand (conduz a adesão plaquetária)
Assim sendo o paciente diabético passa a ter maior probabilidade de desenvolver macro ou microangiopatia ou ainda as duas em simultâneo.
Os eritrócitos, devido ao processo de glicolização não enzimática da hemoglobina, perdem a flexibilidade que lhes é característica e indispensável para atravessarem o lúmen dos vasos de menor calibre. A incompatibilidade entre o tamanho dos leucócitos e dos vasos mais pequenos também ocorre, mas como estes existem em menor quantidade a nível basal, a sua ausência não é tão significativa.
As plaquetas do paciente diabético existem em maior número que nos indivíduos saudáveis, o que por si só já aumenta o risco de formação de trombos, mas como as suas propriedades de adesão também se encontram muito mais eficazes, a possibilidade de se originarem rolhões plaquetários é muito elevada, nestes doentes.
Existem ainda factores como:
®   Aumento das proteínas glicolizadas;
®   Aumento das lipoproteinas (HDL e LDL)
Que associados aos factores acima descritos e muitas vezes ao consumo de tabaco e álcool, aumentam a viscosidade do sangue.
Em termos clínicos os sinais para o diagnóstico de angiopatia são: ausência de pulsos podais, história de claudicação intermitente e dor de repouso, muitas vezes associada à isquemia.

1.3.3     Alterações dermatológicas

A pele assume um papel importante no diabético sobretudo porque pode ser uma porta de entrada para “o desenvolvimento de complicações infecciosas graves, nomeadamente ao nível do pé diabético” (Poçô e Duarte, 2002).
A patologia cutânea no doente diabético pode, ainda, corresponder a um conjunto heterogéneo de manifestações, traduzindo complicações de doença crónica subjacente.
Existem entidades cutâneas típicas da diabetes que se podem manifestar antes do diagnóstico de diabetes e que por isso mesmo são considerados marcadores cutâneos da diabetes, exemplos disso são:
1.      Dermatopatia diabética
2.      Necrobiose lipóidica;
3.      Granuloma anular disseminado;
4.      Vulvo-vaginites por candídiase.

A via do poliol, uma das teorias para o aparecimento de neuropatia, afecta gravemente o cologénio (macroproteinas de moléculas) induzindo alterações patológicas na pele do indivíduo.
Para tornar o estudo das afecções dermatológicas mais simples e didacto podemos dividir as patologias cutâneas em:
1.      Infecções cutâneas no diabético
2.      Doenças relacionadas com alterações do colagénio;
3.      Doenças cutâneas metabólicas associadas à diabetes;
4.      Doenças cutâneas por resistência à insulina;
5.      Outras doenças cutâneas associada à diabetes mellitus;
6.      Reacções cutâneas à terapêutica diabética;
7.      Alterações cutâneas relacionadas com isquemia e neuropatia
8.      Onicopatias diabéticas.

1.4       Prevenção podológica

A prevenção nos diabéticos é uma arma que deve ser usada quer pelos próprios quer pelos prestadores de cuidados médicos.
Através da prevenção podemos reduzir o risco de amputação, bem como proporcionar ao doente melhores condições de vida diminuindo, deste modo, as consequências desta síndrome, como a neuropatia periférica a doença arterial periférica e deformidades, que podem trazer consequências dramáticas no pé de um diabético.
Nos nossos dias estamos a assistir a uma explosão epidémica da diabetes e os dados epidemiológicos dão como etiologia, o estilo de vida moderno, caracterizado pelo sedentarismo e a má alimentação; condicionadores de obesidade, que deste modo, podem ser os responsáveis pelo cada vez maior número de diabetes tipo II.
A educação do diabético é de total importância para o tratamento quer da diabetes tipo I quer do tipo II. Educar significa o treino da prática do comportamento, que, com o tempo se tornara um hábito, sendo o hábito o objectivo da educação.
No diabético, a educação deverá ser feita por uma equipa multidisciplinar, que tem como objectivo responsabilizar o diabético pelo auto-controle da doença. A equipe multidisciplinar deve ser composta por vários profissionais de saúde como: o endocrinologista, o nutricionista, enfermeiro, psicólogo e o podologista, entre outros, para que assim e em trabalho conjunto de todos estes profissionais, o diabético adquira conhecimentos sobre: a sua doença, as técnicas correctas para a compensação das variações que possam ocorrer, bem como na identificação de sinais e sintomas que possam advir da diabetes.
Desta forma o podologista demonstra um papel importante no que diz respeito ao acto de prevenir a vários níveis: prevenção primária, secundária e  terciária.

1.4.1     Prevenção primária

A prevenção primária visa reduzir as complicações no pé, nos doentes com diabetes, assim como ensinar os cuidados preventivos podais, para que se possa reduzir o número de amputações do membro inferior.
 “O doente diabético e os familiares são educados a cuidar dos pés, observá-los diariamente, identificar e valorizar os sinais de alerta, mediante atitudes de prevenção que devem ser divulgadas de forma exemplificada, clara e insistente.” (Pinto e Pereira, 2004)
Existem alguns cuidados de higiene que o paciente diabético deverá adquirir como hábito, lavar os pés diariamente, com água tépida (35-37oC), devendo comprovar a sua temperatura com um termómetro de banho, pois a água demasiadamente quente pode levar a queimaduras com longo período de cicatrização. O doente não deve adicionar sal à água pois o este potencia a secura da pele.
            O doente, não deve demorar mais que 5 minutos na lavagem, pois pode fragilizar a pele sã e potenciar a maceração, que por sua vez pode conduzir  a infecção.
A lavagem dos pés deverá ser feita por todo nunca esquecendo os espaços interdigitais e em dois recipientes separados, um para cada pé. Este hábito terá como objectivo evitar a contaminação por fungos, ou em caso de lesão aberta evitar uma maior contaminação da mesma, pois o uso de um só recipiente é um dos factores do insucesso na terapêutica antimicótica.
Deve-se utilizar um sabonete com um pH ácido (5-5,5), pois o pH fisiológico da pele é ácido, prevenindo assim a proliferação de germes e infecções causadas pelos mesmos.
Após a lavagem de todo o pé deve secar bem, por contacto e não por fricção, empregando para isso uma toalha macia e limpa, usando as extremidades da mesma para cada pé sem esquecer de limpar bem os espaços interdigitais, para que, desta forma se evite a maceração da pele. Esta maceração é porta de entrada a fungos que aí se podem instalar levando a um possível aparecimento de micose dérmica.
Hidratar os pés com um creme hidratante de pH neutro, aplicando uma camada fina de creme, mas nunca nos dedos e nos espaços interdigitais. É importante, o doente fazer todos os dias uma massagem aos pés realizando movimentos de flexão e extensão ao nível do antepé, tornozelo e dedos, para que desta forma se mantenha a flexibilidade.
Devera trocar de meias diariamente e estas devem ser de fibras naturais como a lã e o algodão e sem costuras.
É de elevada importância a escolha de um sapato adequado para o diabético, este deve ser confortável e de pele. O calçado deve ajustar-se bem ao pé do doente, por essa razão convém possuir atacadores. Antes de calçar os sapatos o paciente deve verificar se existe algum corpo estranho no seu interior. O diabético deverá ter um cuidado em especial relativamente aos sapatos novos, mal adaptados e os sapatos velhos que podem causar ferimentos devido a pregos no interior, forros descolados e buracos nas solas. O diabético deve usar sempre sapatos fechados (pois se forem abertos permitem a entrada de corpos estranhos como areias e pequenas pedrinhas – que podem causar traumatismos.
É importante que o diabético adquira o hábito de observar os seus pés, diariamente para que assim, detecte possíveis lesões que podem passar despercebidas, devido á diminuição de sensibilidade. Para isso ele deverá sentar-se comodamente num local com boa iluminação, para proceder à inspecção de todo o pé pode utilizar um espelho para verificar a planta do pé. Caso tenha problemas de visão ou dificuldade em baixar-se deve recorrer à ajuda de terceiros. O diabético na inspecção diária deverá procurar, lesões entre os dedos; sinais de traumatismo; queratopatias nos dedos e nos espaços interdigitais; gretas, flictenas, edemas; deformidades nas unhas e alteração da coloração da pele e de temperatura.
Os cuidados ungueais deverão ser do conhecimento do paciente, uma vez que a unha tem um papel de elevada importância na protecção dos dígitos, que devido à sua localização distal estão expostas a traumatismos, que no doente diabético pode encaminhar a graves consequências.
O doente deverá procurar alterações na coloração das unhas, alteração da forma da mesma, bem com o da sua espessura. Ainda nos cuidados ungueais deverá alertar-se o doente para a importância do corte correcto das unhas, devendo este ser realizado de forma recta sem nunca cortar os “cantos” e sem cortar demasiadamente as unhas, uma vez que pode ferir o leito ungueal.
Alertar o diabético que não deverá efectuar nenhum tratamento com qualquer tipo de substância como os calicídas, nem efectuar um auto tratamento com lâminas ou qualquer outro objecto cortante, pois estes actos podem conduzir a lesões, que em indivíduos diabéticos se tornam graves. Não deve recorrer a botijas de água quente, cobertor eléctrico, lareira pois a diminuição da sensibilidade térmica pode acarretar a queimaduras sem a percepção do doente.

1.4.2     Prevenção secundária

A prevenção secundária tem como objectivo realizar um conjunto de acções de maneira a identificar, bem como corrigir o mais precocemente possível qualquer desvio da normalidade, de modo a colocar o doente de imediato numa situação saudável, assim podemos dizer que: a prevenção secundária visa o tratamento de sinais e sintomas biomecânicos e traumatismos menores, a realização de exames periódicos, o combate á infecção e educação no que diz respeito á saúde do pé.
         É de total importância um exame clínico exaustivo do sistema vascular, neurológico e músculo-esquelético, que possam estar na origem nas diversas alterações do pé diabético.

1.4.3     Prevenção terciária

A prevenção terciária corresponde a bons tratamentos das afecções que possam ter afectado o pé do diabético, impedindo que estas evoluam para quadros patológicos mais graves. Além disso implica uma boa vigilância do diabético com o intuito de impedir ou atrasar o desenvolvimento das complicações tardias da diabetes.


[1] Circular Normativa nº 8 (24/04/01) – Direcção geral de saúde (DGS)
[2] Fonte: Dicionário de termos médicos, Porto editora